Uma coisa para se lembrar

Sei que um dia tudo se vai, tudo se perde, tudo se esquece, mas tem uma coisa que quero que você lembre para sempre, e que maneira melhor de deixar algo vivo se não for escrever ? A escrita é eterna, as palavras são eternas, e deixar memorias vivas em um texto é espetacular.
     No dia 25 de setembro de 2015 você lembra o que estava fazendo?
Eu lembro, você sentiu um êxtase de felicidade incrível! Tudo começou com uma pedra na mão:
  -Escolhe. Se escolher a mão que tem a pedra vamos para o rio, a mão sem a pedra vamos para o morro.
  -Huuuuum, calma ai tô pensando. Esquerda!
 -Qual a esquerda mesmo?
 -Essa aqui.
Ele apontou para a mão que escolhera. E ela mostra a pedra. Então é isso, rio foi decidido. Quando estavam chegando perto, ela pergunta:
 - Então vamos direto para o rio ou passamos pelo morro antes?
Ele olha para ela, sorri e pega uma pedra do chão.
 - Escolhe. Se escolher a mão com a pedra vamos direto para o rio, sem a pedra subimos no morro.
 -Huuuuuuuuum, essa aqui.
Ela levanta um dos braços para indicar qual ela quer que ele mostre, porque nem quis se arriscar no direita e esquerda, afinal nem sabe a diferença mesmo.
Ele começa a sorrir e mostra a mão, com uma pedra
-Cara, é o destino! Para o rio então.
-Vamos!
E então foram em direção ao rio, pularam a cerca que indicava a propriedade alheia, mas nem pensaram nisso, nem passou pela cabeça estar invadindo o lugar.
Em algumas árvores eles avistaram algumas araras.
-Joga uma pedra lá para os pássaros voarem.
Ele pegou uma pedra e jogou, e encheu os dois de terra, porque aquilo era mais barro do que pedra e o vento na direção deles não ajudou em nada, garoto não sabia nem escolher uma pedra.
Depois de rir um pouco do incidente ele pegou outra pedra, uma de verdade agora e jogou perto, apenas para assustar aos pássaros, e conseguiu. Varias e varias araras saíram voando todas juntas na mesma direção passaram por cima deles e tornou aquele momento único e extraordinário.
-Caralho, que lindo. Quantos pássaros verdes, como é mesmo o nome?
Ela não conseguia para de sorrir e ele olhava para tudo se sentindo maravilhoso, como se só agora percebesse que esta vivo. Ainda com os olhos nos pássaros ele respondeu a pergunta idiota dela.
-São araras.
E os dois passaram mais alguns minutos olhando e depois seguiram para o rio.
Assim que chegaram, ela já tirou os tênis e atravessou um pequeno espaço de agua, andando, porque não se sentia capaz de pular, havia um medo enorme de cair que a assombrava e por outro lado, ama molhar os pés naquela agua, e como é super corajosa só isso que molharia mesmo. Ele ja chegou e deu um salto para o outro lado. Assim que os dois estavam do mesmo lado, estenderam o lençol no chão sentaram e observaram o lugar, a linha dourada que contornava o morro, a agua do rio fazendo pequenas ondulações por causa do vento, a forma como o cabelo dela se mexia e bagunçava todo por causa do vento forte que batia em seus rostos, o sorriso por se sentirem tão sortudos por estarem em um lugar tão perfeito. Eles se olham, e um beijo cela um começo de um fim de tarde maravilhoso para os dois.
Eles olham para o céu e começam a dar formas as nuvens.
-Aquela parece um sutiã
-Qual?
-Aquela ali.
Ele aponta para nuvem com formato de sutiã.
-Ah sim, parece mesmo. Ei parece aquele sutiã do i´carly, aquele que fica flutuando sabe?
-Não
-Ah! Olha lá, agora parece uma coroa.
Ele olha para ela com uma cara de ''fala serio'' e ela sorri e diz
-É serio. Uma coroa de uma princesa.
Ele ri e aceita que parece mesmo com uma coroa.
-Ei vamos escrever agora.
-Ta bom.
-Enquanto você escreve eu vou procurar um lugar para enterrar.
Ela pega o caderno e a caneta e começa a escrever sobre o dia maravilhoso que teve e adverte a si mesma a não se deixar esquecer esse dia. Depois de um bom tempo ele volta.
-Achou o lugar?
-Achei sim.
-Então escreve logo antes que fique tarde, vai ser difícil cavar um buraco para essa garrafa no escuro.
-Ta bom.
Enquanto ele escrevia, ela o observava e imaginava o que ele poderia estar escrevendo, será que falou dela? Será que esta amando tudo isso assim como ela? Será que também advertiu a si mesmo a não esquecer? Ela pensou em varias possibilidades, o sol já não estava mais lá, no céu já não havia nuvens claras, a noite começou, os vagalumes começaram a brilhar no meio do mato perto do rio e ele finalmente terminou sua carta para seu eu no futuro. Colocamos as duas cartas na garrafa de vinho, e fomos em direção ao lugar que ele escolheu. Exatamente oito passos de um poste ele começou a cavar, depois de enterrarem a garrafa eles voltaram, decidiram que já estava tarde e era hora de ir embora, mas antes deveriam subir no morro e então subiram. Quando finalmente chegaram lá encima se agradaram completamente com a vista para a cidade, todas aquelas luzes dos postes, carros e motos que passavam no local. Todos aqueles pequenos feixes de luz, se sentiram donos do mundo, se sentiram extasiados com tudo. Ela tirou seus óculos e olhou para as luzes da cidade e com sua leve e indesejada miopia se sentiu única, as luzes eram maiores e sem sincronia, estavam grandes e se misturavam umas as outras. E ela sorriu
-Cara da uma olhada sem os óculos.
E ele tirou seus óculos também, e é provável que a vista tenha mudado para cada um, porque o grau quem manda, mas mesmo assim, se sentiram maravilhados e pela primeira vez na vida ela se sentiu grata por não ter uma visão perfeita, porque nada pagaria aquele momento e poucos teriam e veriam da mesma forma.
Eles sentaram em uma pedra grande que havia lá e sentiram a calmaria do lugar e ficaram olhando para as luzes por um bom tempo. Depois decidiram ir embora, queriam ir ao balanço que descobriram um dia em outra aventura que viveram juntos, mas isso é outra historia. Eles então se beijaram para finalizar o momento, mas quem disse que o momento queria acabar? Eles continuaram se beijando de uma forma calma, mas ao mesmo tempo desesperados. Ela passava a mão sobre as costas dele, seus cabelos, sua barriga, seus braços e se perdia. Ele passava a mão sobre o corpo dela, de uma forma tão firme esquentando a coisa toda. Ela sorriu pra ele e disse
-Acho que tenho uma ideia melhor
-Qual?
-Que tal a gente estender meu lençol ali e ficarmos deitados um pouco ao invés de ir ao balanço.
-Amei a ideia
-Pega o lençol
Eles estenderam o lençol no morro e deitaram um encima do outro. Ela já podia sentir a ereção dele e lembrou-se de uma conversa que tiveram uns dias atrás, ele havia dito ''a sensação de sentir meu pau ficando duro, é muito boa cara'' e ela pensou '' A sensação de fazer você ficar de pau duro também é muito bom'' ela ficou encima dele e eles estavam com aqueles movimentos de subir e descer fazendo com que criasse uma vontade louca nos dois. Ela achava maravilhoso olhar no rosto dele e ver aquela cara de prazer, aquela puta cara de vontade de tirar a roupa e quando ele mordia seus próprios lábios, nossa, era um misto de prazer e satisfação tão grande que ela não encontraria palavras para descrever como aquilo podia molhar sua calcinha. Ele olhou pra ela, pegou na sua cintura e conduziu os movimentos de uma forma que fazia ela querer tirar a roupa. Ela virou e se deitou ao lado dele, ele subiu encima dela, enquanto ele a beijava ela abriu os olhos e viu a lua ao lado do rosto dele, ela então percebeu que aquele momento mudaria a vida dela e talvez a dele, ele parou de beija-la, ela sorriu e disse
-Você é tão lindo, consigo ver a lua do seu lado.
E ela realmente conseguia, sem seus óculos a lua estava tão grande que fazia tudo ser mais especial.
Eles conversaram, se pegaram, sentiram, mas não, não tiraram a roupa, e não foi por falta de pedidos.
A cada segundo ele perguntava se ela já queria tirar a roupa. Querer ela queria, desde que deitaram ali, mas não iria. Ele sorria pra ela e ela guardava o momento. E se permitia sentir, sem todas as armaduras que sempre teve, ela se permitiu viver. 

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