Um PEQUENO exagero

     Em uma linda manha de chuva, ele resolveu que estava na hora de trocar o seu café quente por um sorvete de flocos. Passou direto pela cafeteria e foi em direção à sorveteria bem aconchegante que havia ali por perto, de longe ele avista uma garota, ele reconhece, mas não a conhece, todos os dias consegue vê-la da cafeteria e ela sempre lá, com seus cabelos pretos, um sorvete e seu livro surrado. Não da para negar o quanto é atraente, mas ele nem liga para isso. Não esta interessado nela. Ele senta em uma mesa e pede um sorvete de passas ao rum, com bastante cobertura, isso o faz se sentir um adolescente! Coitado, já tão velho.
           Ela acostumada ao aconchego de sua sorveteria, sim, sua. Ela era dona do local, mas monitorava de longe, conhecia todos os seus clientes, mas aquele homem não, ele era novo e sedutor. Talvez ela não devesse pensar coisas assim de estranhos, mas depois de tanto tempo sozinha é quase impossível evitar. Ela desvia seus olhos do livro e olha para ele, ele esta olhando para ela, ele sorri para cumprimenta-la com muita educação, ela sorri de volta e ele desvia o olhar.
         Ela sempre muito atrevida, tratou aquilo como um desafio e como nunca foge de um, se levantou e andou ate a mesa dele, nem perguntou se podia sentar e já se sentou.
-Oi
Ele olha para ela com um rosto de surpresa total e em seus pensamentos já imagina que tipo de mulher é essa.
-Oi.
Ela fica olhando fixamente para seus olhos, tentando calcular o que deve dizer quando ele a interrompe.
- Não vai se apresentar?
Ele pergunta para ela, ela abre um sorriso e diz:
-Hoje não, gostei da gravata.
Ela se levanta e volta para sua mesa. Ele pensou ‘’que garota estranha’’ mas algo nela despertou seu interesse agora. Puta merda. Ela de certa forma sentia o mesmo.
Depois de um tempo ela aparece com seu sorvete de passas ao rum. E ele se lembra da vontade que sentiu por flocos. E se pergunta por que mudou de ideia sem nem perceber. E porque ela estava entregando seu sorvete. Por acaso ela trabalhava ali?
Ele se sentia de maneira estranha na presença dela e não gostava disso. Ela viu seu desencanto ao receber o sorvete. Quase pergunta se algo está errado. Mas resolve ficar quieta. Essa pergunta pode ser muito vaga. Ele se levanta paga seu sorvete e vai embora com ele.
 Ela fica olhando. E sente como se parte dela fosse também. Como se apenas o olhar de um homem que ela nem sabe o nome, fosse de certa forma parte dela.

Ele sente aquela sensação de que esta esquecendo algo. Olha para trás e vê ela. E de uma maneira inexplicável é como se o tempo parasse... Ele cai em si. E volta ao que estava fazendo. Ela mantém firme o olhar nele até não poder mais vê-lo 

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